Corujas – uma breve história do setor mais negativo da Pedra da Divisa

Corujas – uma breve história do setor mais negativo da Pedra da Divisa
"Agente Laranja" na aresta do setor Corujas - Imagem Vitor B. Frechou

Eliseu na “Agente Laranja” na aresta do setor Corujas. 2022 – Imagem Vitor B. Frechou

2002

Por volta de 2002, Wendel Goulart e eu abrimos a África, primeira via a ser equipada no setor mais negativo da parede paulista da Pedra da Divisa. Subi por uns platôs de mato a esquerda de onde hoje está fixada a corrente que protege o trecho inicial da aproximação, e bati a base que serviu para equipar a via.

Ainda nesse ano fui com o Arjuna Sundara, Wendel e João Alberto Costa para inspecionar as paredes negativas. Voltamos e subimos até a base da África, escalei por uma fenda que sobe rente a uma árvore e ao chegar hoje no platô da parada da via O Vôo da Coruja, tomei um enorme susto com uma coruja branca gigante (juro, era gigante), saindo do buraco e quase me derrubando. Recobrado o susto, equipamos uma das vias mais alucinantes da parede principal. Na sequencia veio a Duplex, que é mista com vários lances em micro nuts e talvez por isso, bem pouco repetida. Depois vieram Inércia e Napalm na qual tivemos a participação do Ralf Côrtes.

Um detalhe dessa época, precedente da escalada esportiva de hoje, era que para nós, a cadena só valia sacando costuras! Dava um pouco mais de trabalho mandar as vias, ahahaha.

João Alberto Costa na "Inércia". 2002. Imagem Eliseu Frechou

João Alberto Costa na “Inércia”. 2002. Imagem Eliseu Frechou

Eliseu na "Duplex". 2002. Imagem Arjuna Sundara.

Eliseu na “Duplex” com Wendel Goulart na segurança. 2002. Imagem Arjuna Sundara.

Arjuna Sundara na "O Voo da Coruja". 2003. Imagem Eliseu Frechou

Arjuna Sundara sacando costuras na “O Voo da Coruja”. 2002. Imagem Eliseu Frechou

Eliseu fazendo a transversal para instalar a base da "Duplex", 2002. Imagem Wendel Goulart.

Eliseu fazendo a transversal para instalar a base da “Duplex”, 2002. Imagem Wendel Goulart.

Arjuna Sundara na "África". 2003. Imagem Eliseu Frechou

Arjuna Sundara na “África”. 2003. Imagem Eliseu Frechou

Sr. Dimas. 2002. Imagem Eliseu Frechou

Sr. Dimas. 2002. Imagem Eliseu Frechou

2009

Nessa época, a falésia dos Olhos começou a ser explorada e dividia atenção de quem procurava a dificuldade, e então o Corujas passou por alguns anos de quase esquecimento. Até que em 2009 o Leandro “Pardal” Costa botou lenha na fogueira novamente.

Entre 2009 e 2010, Pardal, Rogério (Rogerinho) Santos, Creverson (Crevinho) Claro e eu passamos o rodo na parede principal e abrimos uma dezena de rotas até a Faixa de Gaza, limite além do qual, achávamos que a rocha era muito podre. As clássicas Exocet, Tomahawk e Agente Laranja foram abertas nessa época. Felizmente o Flávio “Massa” Castagnari forçou um pouco mais o limite e criou a linda Juízo Final.

Rogerinho na "Tomahawk". Imagem Eliseu Frechou

Rogerinho na “Tomahawk”. 2009. Imagem Eliseu Frechou

Pardal na "Exocet". 2009. Imagem Eliseu Frechou

Pardal na “Exocet” com Denis Ramon na segurança. 2010. Imagem Eliseu Frechou

Eliseu na "Exocet" 2010. Imagem Leandro Costa

Eliseu na “Exocet” 2010. Imagem Leandro Costa

Pardal da "Agente Laranja". 2010. Imagem Eliseu Frechou

Pardal da “Napalm”. 2010. Imagem Eliseu Frechou

Pardal na "Morteiro". com Rogerinho na segurança. 2009 Imagem Eliseu Frechou

Pardal na “Morteiro”. com Rogerinho na segurança. 2009. Imagem Eliseu Frechou

Eliseu na "Bazuca". 2010. Imagem Leandro Costa

Eliseu na “Bazuca”. 2010. Imagem Leandro Costa

Eliseu na "Faixa de Gaza". 2011. Imagem Geraldo Francisco da Silva.

Eliseu na “Faixa de Gaza”. 2011. Imagem Geraldo Francisco da Silva.

Leandro Costa. 2009. Imagem Eliseu Frechou

Leandro Costa. 2009. Imagem Eliseu Frechou

Rogério Santos. 2009. Imagem Eliseu Frechou.

Rogério Santos. 2009. Imagem Eliseu Frechou.

Creverson Claro. 2009. Imagem Eliseu Frechou

Creverson Claro. 2009. Imagem Eliseu Frechou

Época do trance e da psicodelia. 2002. Imagem: Eliseu Frechou

Época do trance e da psicodelia. 2009. Imagem: Eliseu Frechou

2022

Ontem estive no setor com o Pardal e meu filho Vitor. Escalamos, fizemos força, demos risadas e assim como em 2002, planejamos novas conquistas, e nos demos conta de como a história se repete, que a amizade e o espírito de criar vias seguras para quem vai escalar depois sempre foi o que nos impulsionou a gastar tempo e dinheiro desenvolvendo setores inteiros, como o recém inaugurado Artão, obra do Pardal e do Alexandre “Jesus” Loureiro. Na Pedra da Divisa já abrimos mais de 140 vias, todas com proteções seguras e respeitando as regras do Sr. Dimas e D. Maria Elza, que não canso de agradecer a confiança e amizade em nos deixar escalar no quintal maravilhoso da casa deles.

Pardal na "O Vôo da Coruja". 2022. Imagem Eliseu Frechou

Pardal na “O Vôo da Coruja” com Vitor B. Frechou na segurança. 2022. Imagem Eliseu Frechou

Pardal na "Agente Laranja" 2022. Imagem Vitor B. Frechou

Pardal na “Agente Laranja” 2022. Imagem Vitor B. Frechou

Pardal na "Tomahawk". 2022. Imagem Vitor B. Frechou

Pardal na “Tomahawk”. 2022. Imagem Vitor B. Frechou

Futuro

São Bento do Sapucaí se tornou um lugar de referência no cenário da escalada nacional por conta do trabalho de várias pessoas que criaram – desde 1959 – vias impressionantes em diversos estilos, que respeitaram as diferenças e cada vez que a ética ou a moda mudava, souberam respeitar as gerações passadas, pois é a história que nos faz evoluir e não apenas repetir o que já foi criado.

Após um terrível acidente fatal durante a abertura de via mais à direita da Juízo Final, ficou acertado entre a comunidade e o proprietário que não haveria mais conquistas no setor. Há muita rocha ainda por desbravar na região, então esta regra não afetará em nada o desenvolvimento da escalada.

O setor Corujas. Desde o final da trilha até a base da "Juizo Final" há cordas para assegurar que ninguém despenque montanha abaixo. Fique esperto e mantenha-se clipado.

O setor Corujas. Desde o final da trilha até a base da “Juizo Final” há cordas para assegurar que ninguém despenque montanha abaixo. Fique esperto e mantenha-se clipado.

Por que setor Corujas?

Por que setor Corujas?

Placa do extinto Clube de Montanhismo da Serra da Mantiqueira, que foi criado em São Bento e atuou durante muitos anos na região, fazendo o gerenciamento dos points de escalada junto aos proprietários.

Placa do extinto Clube de Montanhismo da Serra da Mantiqueira, que foi criado em São Bento e atuou durante muitos anos na região, fazendo o gerenciamento dos points de escalada junto aos proprietários.

 

O novo Guia de Escaladas da Pedra do Baú e Sul de MG tem os croquis atualizados da Pedra da Divisa e setor Corujas.

O novo Guia de Escaladas da Pedra do Baú e Sul de MG tem os croquis atualizados da Pedra da Divisa e setor Corujas.

Guia de Escaladas da Pedra do Baú e Região Sul de MG – Como comprar ?

 


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