Ao norte da Patagônia

Ao norte da Patagônia

patrocinadores2011A Patagônia é uma extensa região que na Argentina, começa na província de La Pampa, que fica quase que na mesma latitude de Buenos Aires, e desce até o fim do continente. San Carlos de Bariloche, El Bolsón e San Martin de los Andes, cidades que planejamos visitar e conhecer para pedalar e caminhar, estão nesta porção norte da região patagônica. São lugares onde o famoso e famigerado clima do lugar é mais brando, onde as nevascas são menos violentas que nas regiões do Fitz Roy e Torres Del Paine, points de escalada que viraram sinônimo do lugar.

O relato e o vídeo abaixo são de uma viagem em 2011, mas está valendo para quem quer ter uma ideia de como é o lugar, e o que fazer na região.

A escolha por irmos conhecer El Bolsón, veio primeiro pelas indicações do Luciano Fernandes que nos recomendou diversos passeios no entorno, e depois veio a feliz coincidência da amiga Nena Alava estar indo para lá na mesma data que nós.

Janela Patagônica no IDEC.

Janela Patagônica no IDEC.

Pois bem. Eis que depois de 5 dias e meio de estradas pelo Brasil, Uruguai e Argentina, e mais de R$ 150,00 (!) de pedágios e 6 tanques cheios, chegamos a El Bolsón. Conforme descrevi no último post, nos hospedamos no IDEC e após um dia de alongamentos para reaprender a caminhar, seguimos para um passeio no lago Puelo. O lugar é bárbaro, típico dos lagos formados por geleiras. Toda esta região, faz parte de um enorme parque nacional argentino chamado Nahuel Huapi, que se estende por 712.160ha numa faixa de de 50 a 60 km recostada sobre a Cordilheira dos Andes, ao sudoeste da província de Neuquén e noroeste da província de Rio Negro. A maior cidade dentro do parque é San Carlos de Bariloche, que serve de principal base para as atividades turísticas, de recreação, desportivas, e de pesquisas da natureza que se desenvolvem no parque. El Bolsón fica mais ao sul.

Lago Puelo: poucas trilhas permitidas para bikes

Lago Puelo: poucas trilhas permitidas para bikes

Mirante com as montanhas chilenas ao fundo.

Mirante com as montanhas chilenas ao fundo.

O lago possui uma área reservada a recreação, com churrasqueiras, praias bem cuidadas, banheiros… demos uns rolês ao redor da costa, mas logo percebemos que havia uma certa discriminação para com nossas bicicletas. Várias trilhas são proibidas para as bicicletas. Depois de nos cansarmos de procurar mais roteiros, resolvemos encarar uma caminhada e então fomos até um mirante onde pudemos ver quase toda a extensão na parte Argentina do lago e as montanhas que fazem divisa com o Chile.

cajon

No segundo dia de pedal em El Bolsón, resolvemos ir em direção ao destino mais recomendado da região: o Cajón del Azul. O programa seria uma trilha de 4-5 horas até um ponto onde o rio forma um cânion. Levantamos cedo, tomamos um rápido café e fomos atrás das informações.

Vitor na primeira ponte.

Vitor na primeira ponte.

Para acessar a região, dentro do Parque Nacional Nahuel Huapi, é necessário apenas se identificar na guarita de entrada, ou no Club Andino Pilquitron que fica no centro da cidade e tem uma pessoa para dar todas as informações que você precisa, além de um mapa bem básico, mas funcional do lugar. Aliás, a trilha é bem sinalizada e usamos o mapa apenas para termos ideia do tempo gasto entre cada um dos trechos.

 

Ponte precária.

Ponte precária.

Na interseção dos rios Azul e Negro, vinte minutos após o estacionamento, cruzamos a primeira das muitas pontes precárias que cruzam estes rios, e a travessia de bicicleta foi uma dificuldade a mais, pois as pontes não param de balançar. Além do que, as pontes são para uma pessoa apenas, e de bike fica realmente complicado. Não achei nada difícil tomar uma queda com a bike e tudo na primeira delas, na qual eu carreguei a bike no ombro. Na segunda ponte foi empurrando a bike na minha frente e tive medo da bike cair também. Da terceira ponte em diante, decidi ir pelo rio, o que apesar de desagradável diante da temperatura glacial, é a opção mais segura.

 

Poeira vulcânica.

Poeira vulcânica.

Após a primeira ponte, a trilha começa a subir abruptamente, e o caminho é de pedra soltas, impossibilitando pedalarmos, apesar do que, o Vitor ligou o turbo e pedalou boa parte. A poeira é uma constante nas trilhas, pois a escassez de chuvas deixa o chão bastante seco. A camada de cinzas dos vulcões chilenos que entraram em erupção no ano passado, depositada no chão também incomoda. Há lugares onde existe um palmo de cinzas.

A volta, com mais um monte de rios para atravessar.

A volta, com mais um monte de rios para atravessar.

Depois de quatro horas de subidas, chegamos ao Cajon del Azul, onde as paredes formam um cânion de 30 m de altura e um poço de águas cor azul turqueza.
Paramos para o almoço que foi o kit petisco da Liofoods (batata gratinada, queijo chedar e queijo minas) e logo seguimos, deitando o cabelo, na trilha que agora era um downhill.

Hora do rango. Tá feliz, né?

Hora do rango. Tá feliz, né?

Para quem vai conhecer a região, não esqueça que quase todos os points de interesse estão dentro de áreas de conservação ou parques nacionais, e autorizações prévias muitas vezes são obrigatórias e devem ser adquiridas.

catedral

Depois dos pedais e passeios alucinantes em El Bolsón, partimos de mala e cuia para Bariloche.
A cidade é bacanassa, turística mesmo. Tem de tudo que é luxo, chocolate de montão e montanha pra todo lado. Era o lugar que estávamos precisando.

Bariloche e as Agulhas do Frey ao fundo.

Bariloche e as Agulhas do Frey ao fundo.

A primeira caminhada foi ao Frey, para conhecer as Agulhas e o abrigo, um dos primeiros da Argentina, construído por Emilio Frey, que foi “O Cara” desta região norte patagônica nos primórdios da escalada em rocha.

Com as pernas malhadas dos pedais e um sol de rachar o coco, resolvemos apelar e subir de teleférico até o topo do Catedral. Se fossemos fazer tudo a pé, subiríamos pelo mesmo caminho da descida. Então os R$90,00 de teleférico valeu também, pois nos possibilitou ver outro lado das Agulhas e conhecer o Catedral, que tem uma vista estupenda para os vales mais ao sul e do monte Tronador, que se ergue imponente a poucos quilômetros de distância.

Vitor no Cerro Catedral, com o Tronador ao fundo.

Vitor no Cerro Catedral, com o Tronador ao fundo.

A caminhada é bem sinalizada, não dá pra se perder. Iniciamos sempre pela crista da montanha até que antes da Punta Estrela, descemos para a face de trás da montanha e entramos numa moraina mais complicada de andar de cargueira cheia. Mas vamos que vamos e em meia hora atingimos um col que desce para a laguna Smoll.

Trilha bem sinalizada.

Trilha bem sinalizada.

Caracas! Lindíssimo o visual. Ao chegar no col e ver todo o visual do vale do Frey e a Agulha Principal, parece que fomos tomados por um ânimo a mais e caminhamos trilha abaixo com mais motivação.

Laguna Toncek, refúgio e agulhas.

Laguna Toncek, refúgio e agulhas.

Na laguna, pudemos ver a quantidade de cinzas acumulada e ficamos encanados de beber da água que corria da montanha. Já perto da abrigo, seguimos pela margem da laguna Toncek até que no final de 4 horas de rolê, começamos a montar a barraca para a noite que já se aproximava.

Vitor preparando o jantar.

Vitor preparando o jantar.

A turma reunida.

A turma reunida.

O Abrigo Frey é bem estruturado. Dá para acampar e usar as instalações ou ficar no abrigo e dormir nos beliches. Há sempre um guarda de refúgio mantendo a ordem e que pode lhe dar todas as infos necessárias.

Refúgio Frey.

Refúgio Frey.

 

sanmartin

A última cidade que visitamos nesta trip pelo norte da Patagônia argentina foi San Martin de los Andes, já na região do Parque Nacional do Lanin, e que é a menor, mas a mais charmosa das três cidades. San Martin tem cara de cidade de montanha da Europa, todas as grandes marcas de esportes de ação e principalmente de inverno, estão por lá.

Estradas sombreadas .

Estradas sombreadas .

Após uma banda para conhecer a cidade, fomos em busca de infos para escalar o vulcão Lanin, mas acabamos desistindo por conta das muitas exigências e necessidade de agendamento do Abrigo que fica no maio do caminho, e onde é necessário pernoitar para aclimatar.

Escolhemos um dos vários núcleos de visitação dentro dos limites do Parque Nacional chamado Quila Quina, que segundo o mapa, muito bem detalhado que conseguimos no Serviço de Atendimento ao Turista, teria uma infra-estrutura básica para podermos ficar distantes do centro, mas bem perto de rolês interessantes para fazermos de bike.

Muitas subidas íngremes.

Muitas subidas íngremes.

Poeira fina de cinza vulcânica impregnou nossos freios.

Poeira fina de cinza vulcânica impregnou nossos freios.

O lugar é muito bonito. O camping também é bem estruturado, apesar de ser o mais caro que ficamos em toda a viagem (40 pesos).

Escolhemos fazer um pedal pelo lago e mais umas trilhas, gastando o dia entre os bosques de hoecuies. Infelizmente, o acúmulo de cinzas, que até então não havia causado grandes transtornos, nos fez cuspir tijolos. Tivemos que manter uma certa distância, pois as bicicletas levantavam muita poeira, e quem ficava atrás, as vezes mal conseguia enxergar. De qualquer modo, o passeio foi bem agradável, sempre à sombra e mais do que indicado para quem for para a região.

 



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