Freios “automáticos” para escalada e montanhismo – atualizado

OS AUTOMÁTICOS
Os freios semi-automáticos foram um grande avanço em prol da segurança na escalada esportiva, possibilitando uma maior tranqüilidade em ambientes como ginásios ou falésias, onde o segurança teoricamente poderia relaxar e até ser displicente em relação ao travamento da corda, seja num top rope, seja numa via de escalada.
Mas então por que ainda acontecem acidentes devido à liberação de corda durante quedas, sendo que o segurança estava usando um dispositivo que “deveria” frear a corda durante uma queda inesperada?
A resposta é simples: Estes freios (grigri, cinch, vergo…), ao contrário do que alguns escaladores pensam, não são “inteligentes”, portanto não conseguem distinguir entre uma queda e uma puxada proposital do segurança querendo liberar a corda um pouco mais rápido.
Estes dispositivos travam a corda baseados na mudança abrupta de velocidade da corda que passa por dentro deles. Como o cinto de segurança dos automóveis. A grosso modo, quer dizer que se você começar a puxar a corda devagar e depois for aumentando a velocidade, puxando-a rapidamente – até que a velocidade seja muito alta – o freio não travará a corda, liberando centímetros que poderiam fazer a diferença entre o escalador que cai simplesmente flutuar no vazio, ou se espatifar no chão. Se ao contrário, a corda estiver parada e você a puxar de forma repentina, ele a travará quase que instantaneamente.

Nunca solte a mão que trava o freio. Eles não são tão “automáticos” como você gostaria que fossem.
A boa notícia, é que você não precisa fazer nenhuma força com a corda para travar os aparelhos. Basta segurá-la com firmeza. E quando tensionado e travado, ele tipo de freio automático só libera a corda quando a alavanca de liberação é puxada propositalmente, permitindo que o segurança fique tranqüilo e não faça força para segurar uma pessoa pendurada.
Diversos outros fatores influenciam no travamento da corda. Bitola e estado de conservação interferem na frenagem. Uma corda mais fina e nova, ira gerar muito menos atrito no freio que uma corda grossa e toda peluda. Há anos a indústria de cordas vem advertindo que cordas finas devem ser usadas apenas por escaladores experientes devido à dificuldade de frenagem.
Importante frisar que alguns freios (como o grigri) não podem ser usados com segurança em escaladas com várias enfiadas, pois não devem ser usados perto do mosquetão direcionador ou costuras, sob o risco de numa queda violenta, esbarrar nos mosquetões ou rocha e estes destravarem a alavanca que libera a corda, causando um acidente. Neste caso (vias de várias enfiadas), você tem que optar por um freio modelo tubo.
Outra desvantagem deste tipo de aparelho que deve ser levada em conta é a impossibilidade de rapelar com corda dupla de uma forma simples. Dá pra rapelar e recuperar a corda? Dá. A forma de montagem do sistema é bem explicada nos manuais destes aparelhos. Mas exige mais trabalho e exige mais das ancoragens, portanto não é boa idéia levar estes aparelhos para vias que você terá de rapelar. Eu não gosto de ser descido de baldinho quando termino uma rota esportiva, pois essa prática reduz a vida útil da corda. E eu gosto das minhas cordas 😉
Resumindo, estes freios, se bem usados são os mais indicados para escalada esportiva: são fáceis de liberar corda, fáceis de travá-la, não exige força para manter a corda travada e com certeza travam melhor que os tubos cordas de diâmetros muito diferentes.
OS TUBOS
Tubo é o nome de diversos equipamentos vendidos no mercado com formatos levemente diferentes e batizados de Piramid, Jaw, ATC, Chuy, Reverso e Bug, que são os mais fáceis de encontrar no Brasil. Esses tubos, quais quer sejam, levam vantagem em relação aos freios automáticos, quando o assunto é escalada de várias enfiadas. Podem ser usados sem problemas nas bases com orientador e possibilitam o rapel com corda dupla. Em relação aos diversos modelos existentes no mercado, os melhores são os que permitem o uso em modos de mais ou menos atrito, alternando os lados. Essa opção facilita quando você trabalha com cordas de diâmetros entre 9mm e 11mm. Dificilmente um freio sem esta opção será excelente em cordas finas e grossas. Eu uso os que tem “dentes” e geram atrito extra na corda quando ela passa pelo canal – e os que simplesmente esmagam a corda no estreitamento da entrada do tubo. Esses últimos são ótimos para rapéis com cordas grossas e quando usados com dois mosquetões, também são imbatíveis com cordas finas e lisas. Em geral, tirando os que são feitos para cordas abaixo de 9mm (em geral vendidos junto da corda), todos são bons, então escolha pelo peso e marca que confia.

ESQUERDA: modo com mais atrito. Use para fazer segurança ou rapelar com corda fina. DIREITA: modo menos atrito. Use para rapelar com duas cordas grossas.

ESQUERDA: modo com mais atrito. Use para fazer segurança ou rapelar com corda fina. DIREITA: modo menos atrito. Use para rapelar com duas cordas grossas.
Importante lembrar que é essencial ler o manual que acompanha seus equipamentos antes de usá-los. Se você não lê inglês corretamente, não deduza. Exija a explicação do lojista que o vendeu, ou visite o site do fabricante para baixar o manual em português (geralmente um arquivo PDF).
O importante é entender que nenhum tipo de freio é “a prova de negligência”. Mantenha sua mão sempre na corda que alimenta/trava o freio, pronta para segurar firme a corda e segurar uma queda inesperada. Não se distraia, passando a responsabilidade da vida de seu companheiro para um pedaço de metal e plástico.
Boas escaladas.
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